sábado, 24 de maio de 2014

DITOS SECULARES

Obra do século 17 permite  reconstituir o sentido mais antigo de expressões populares.

Após sua memorável atuação nos 6 a 1 sobre Celtic em 11 de dezembro passado. Neymar declarou ao repórter da Tv española: - Agora étrocar o chip e colocar o da liga[dos campeõs].
O pobre repórter não entendeu essa e outras respostas em português neymariano, mas com essa bela metáfora o craque expressava que era hora de esquecer o passado, os tropeços recentes no campeonato espanhol, e focar a Champions League.
Não podemos prever o futuro da expressão "trocar o chip" no uso figurado da linguagem. Se aqui a 5,10,50 ou 300 anos continuará sendo empregada: Algumas metáforas oriundas da tecnologia tornam-se obsoletas como as próprias realidades que as inspiraram. Ninguém hoje apelidaria uma Rita de Cássio Coutinho de Rita Cadilac, alcunha por sua vez, tomada por nome artístico de uma famosa vedete de filmes franceses da década de 60, quando o Cadillac era, para todos, imediata referência de glamour e outros atributos. Por outo lado continuamos usando metáforeas da época da Revolução Industrial, como quando dizemos que a campanha para a reeleição já começou e "a todo vapor", etc.
Tecnológicas ou não, algumas expressões e frases feitas desaparecem rapidamente, outras duram milênios, como no caso de tantas expressões bíblicas: Bode expiatório, dois pesos e duas medidas, etc.etc.etc.
Há expressões que, passados 350 anos, ainda usamos, com sentido idêntico ou não, e que remontam, direta ou indiretamente, a uma formulação proverbial- mais ampla e contextualizante-, hoje esquecida. Recolhemos a seguir, mantendo grafia original, algumas expressões apresentadas em 1651 (claro que muitas são de séculos anteriores), na obra de Atonio Delicado, Adágios portugueses reduzidos a lugares comuns, e que ainda hoje são usadas.

VERSÕES DO SÉCULO XVII
  • Abrir os olhos- "os mortos aos vivos, abram os olhos." Fique esperto e atento.
  • Colcha de Retalho- "É falso como manta de ratalhos"
  • ouvidos moucos- "A palavras loucas, orelas moucas" ..................................................................................

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